O Teatro Alberto Maranhão virou sala de aula para cerca de 310 alunos iniciantes nos cursos de Direito, Ciências Contábeis, Enfermagem e Administração da FARN. No dia 18 de março eles foram ao teatro assistir à peça “Pobres de Marré”, como parte da disciplina de Introdução às Ciências Sociais, ministrada pelo professor Wanderlan Santos Porto.
A idéia era mostrar através da arte, problemas do cotidiano que são relacionados com o conteúdo de classe, expostos de maneira compreensível pelos alunos. Em quase uma hora de diálogo entre as personagens Maria (Titina Medeiros) e Dasdô (Quitéria Kelly), os estudantes foram levados a refletir sobre a miséria humana que muitas vezes torna-se invisível nas ruas da cidade. “A adesão dos alunos surpreendeu e foi extremamente positivo porque quebra os paradigmas, os limites da sala e permitem que eles observem coisas que na discussão oral eles não conseguem visualizar, a partir de outra linguagem”, comentou o professor.
Alguns estudantes relataram posteriormente que nunca haviam ido ao teatro, mas que a partir da atividade passariam a freqüentar as salas em cartaz na cidade. O humor foi o principal tempero da peça, que ao mesmo tempo em que apresentou situações inusitadas, mostrou problemas crônicos ocasionados pela ineficiência do poder público, que não fornece saúde, educação e segurança de qualidade à população. Como resultado, uma parcela de indigentes vive à margem da própria identidade, em busca da dignidade nas latas de lixo.
Maria acredita que vai realizar o sonho de casar e comprar um cachorro, porque encontrou o tão esperado emprego que, na verdade, é apenas a página de classificados de um jornal impresso velho. “Bem que a assistente social disse que se eu procurasse, ia achar. Agora vou sentar e esperar o dinheiro vir”, diz. Dasdô, por sua vez, vive a fantasia de que tem uma casa e seis filhos para criar sozinha, mas não pode trabalhar por causa de uma bursite, que vai permitir que ela se aposente por “invalidez”. “Mas doutora Mônica só atende na segunda-feira, não trabalha não?”, critica, alienada de sua própria condição de desempregada.
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