A inteligência artificial (IA) tem ganhado espaço cada vez mais expressivo na educação, transformando o modo como se ensina, aprende e se avalia. Ferramentas como o ChatGPT vêm sendo incorporadas ao cotidiano acadêmico como suporte para elaboração de aulas, organização de atividades e até mesmo personalização da aprendizagem. Esta nova realidade, no entanto, traz consigo dilemas éticos, exigindo reflexão crítica e domínio pedagógico por parte dos docentes e discentes.
Durante o 53º Seminário Docente do UNI-RN, o debate sobre os impactos e os desafios da IA no ensino superior ocupou lugar central, com ênfase nas possibilidades, limites e nas implicações éticas da tecnologia. Uma sondagem realizada com os professores participantes revelou que mais da metade já utiliza ferramentas de IA generativa no preparo de aulas e materiais didáticos. Tais dados mostram como a tecnologia já está enraizada nas práticas educacionais e reforçam a necessidade de discutir seu uso consciente.
Neste cenário de mudanças e questionamentos, o professor Leonardo Medeiros Júnior, do curso de Direito, se destacou como protagonista ao conduzir a palestra de abertura do evento. Estudioso no tema e defensor de uma abordagem crítica e pedagógica da IA, ele organizou sua fala em três eixos principais: potencialidades, limites e ética. Segundo Leonardo, a inteligência artificial não é ameaça, mas aliada, desde que empregada com responsabilidade.

Ferramentas como o ChatGPT não substituem o pensamento crítico
Para ele, é preciso abandonar o temor de que a IA vá substituir o professor. “Ela pode automatizar tarefas repetitivas, liberar tempo e abrir espaço para o que realmente importa: pensar, criar, inovar”, afirma. O ChatGPT, por exemplo, pode ser usado como uma “calculadora da conversa”, otimizando a escrita, sugerindo ideias e acelerando processos, mas jamais substituindo a didática e o diálogo em sala.
Professor Leonardo alerta, no entanto, para os riscos do uso acrítico da tecnologia. Entre os principais, ele destaca o plágio, a perda da autoria e a possibilidade de reforço de preconceitos nos conteúdos gerados. O uso excessivo ou sem orientação também preocupa, pois pode comprometer o aprendizado. Por isso, ele defende que as instituições de ensino estabeleçam diretrizes claras, com regras e objetivos definidos, como forma de garantir que a IA seja usada a favor da aprendizagem.
Ao mesmo tempo, as oportunidades oferecidas pela tecnologia são amplas. “Podemos adaptar aulas conforme o perfil da turma, corrigir provas mais rapidamente, analisar desempenho e melhorar a comunicação com os alunos”, aponta o professor. Ele ressalta que essas inovações só são eficazes se estiverem alinhadas a uma intencionalidade pedagógica.

UNI-RN promove protagonismo docente no uso responsável da IA
A presença do tema no tradicional Seminário Docente do UNI-RN evidencia o compromisso institucional com a inovação e a formação continuada. Professor Leonardo avalia que o evento foi fundamental para abrir um espaço de escuta e reflexão. “A maioria dos professores já está usando IA, mas ainda há muitas dúvidas. Ao trazer esse debate para o centro da discussão, o UNI-RN demonstra que está atento às transformações e valoriza o protagonismo dos docentes”, diz.
Segundo o educador, a instituição já tem avançado ao permitir que os professores experimentem ferramentas de IA com liberdade e ao promover encontros voltados à qualificação tecnológica. Tal abertura institucional contribui para a construção de uma cultura inovadora e ética, em sintonia com os desafios contemporâneos da educação.
“Vejo que o UNI-RN tem dado passos importantes. Primeiro ao promover eventos como este seminário, incentivando o debate qualificado e construindo uma cultura de inovação com responsabilidade. O fato de tantos professores estarem testando e utilizando IA com liberdade mostra que o ambiente institucional está se abrindo para essas mudanças”, afirma.
Aos colegas que ainda têm resistência ao uso da inteligência artificial, o docente Leonardo Medeiros deixa um convite à experimentação cautelosa. “A IA não vai substituir o professor, mas pode ser uma aliada poderosa. Comecem a testar, aprendam com os erros, adaptem suas práticas. O importante é manter a curiosidade, o senso crítico e a coragem para mudar”.

Sobre o Seminário Docente
Entre os dias 29 e 30 de julho de 2025, o Centro Universitário do Rio Grande do Norte realizou a 53ª edição do Seminário de Integração Docente, que teve como tema IA no Ensino Superior – Possibilidades e desafios. O evento reuniu professores, gestores e colaboradores para discutir os impactos da inteligência artificial na educação universitária, com ênfase nas práticas pedagógicas, nos dilemas éticos e nas oportunidades de inovação.
A programação foi aberta oficialmente no Auditório Central da instituição, com falas do reitor, professor Daladier Pessoa Cunha Lima, e da vice-reitora, professora Ângela Guerra, que apresentou as atividades previstas. Na sequência, o professor Leonardo Medeiros Júnior ministrou a palestra Inteligência Artificial no Ensino Superior: Possibilidades, Limites e Implicações Éticas, marcando o início das reflexões sobre o tema e incentivando o debate entre os participantes.

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