Araken Irerê Pinto - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Araken Irerê Pinto
05.11.2009

Faleceu aos 77 anos e deixou a lembrança plural de virtudes que fazem pensar de como podiam se reunir tantas em um único ser humano. Essas diversas virtudes estavam no dia-a-dia do cidadão, brilhavam nas lides do professor e do médico, extrapolavam no amor do pai-de-família e realçavam nos gestos do amigo Araken Irerê Pinto. Por onde passou, ficou um legado de honradez, de bondade e de talento, seja nas funções públicas ou na vida privada. Seu perfil de homem cordial, sensato e correto era imutável, estivesse diante de alguém rico ou pobre, de pessoa do topo ou da base da escala social. Engrandeceu a medicina do Rio Grande do Norte, e a história há de preservar-lhe a memória como um dos exemplos mais marcantes da profissão em nossa terra. Às suas clientes – era toco-ginecologista – transmitia segurança e tranquilidade, pela grande atenção que lhes dispensava, bem como por ser possuidor de amplo saber técnico-científico por todos reconhecido. Fui seu aluno na Maternidade-Escola Januário Cicco, há cerca de 45 anos, na disciplina de Toco-Ginecologia e durante o estágio do final do curso médico. Guardo, desde aquele tempo, a imagem de Araken na função de ensino, sempre a transmitir o melhor da especialidade, o avanço da ciência na área e a prática profissional tão válida para os alunos em formação. À época, o Professor Leide Morais se reunia, todas as semanas, com os docentes e estudantes para análise dos casos críticos presentes nos relatórios dos plantões. Leide, sentado ao centro, era uma espécie de juiz austero. De um lado o Professor Araken e, do outro, o Professor Lavoisier Maia; o primeiro, mais para advogado de defesa e, o segundo, mais para promotor, embora os papéis pudessem se inverter, em algum momento. Na verdade, não se tratava de acusar nem de defender, mas de discutir como melhorar os serviços, em prol das crianças que nasciam e das mulheres que pariam. Ali, como sempre foi na vida, estavam o espírito conciliador, o homem ético, estudioso e propenso à paz, atributos inerentes à personalidade de Araken Irerê Pinto. Formou-se em Medicina no Recife, em 1955, e fez residência médica em São Paulo por dois anos. Ao voltar para Natal, ingressou no quadro de saúde da Polícia Militar, de onde saiu para ser professor da recém-criada Faculdade de Medicina. Aliou-se a Leide Morais, ao lado de outros colegas, para a criação de uma das melhores escolas do país em Toco-Ginecologia. Publicou vários trabalhos científicos e foi conferencista em congressos regionais e nacionais. Por várias vezes viajou ao exterior a fim de se atualizar nos avanços da medicina. Era o líder natural da Toco-Ginecologia no Estado, tendo ocupado diversos cargos nos órgãos de classe. Foi um dos fundadores da Academia de Medicina do RN e do Hospital Promater, além de pioneiro do planejamento familiar, à frente da Benfam. Detentor de boa cultura geral, mantinha a prática da leitura, hábito que aprendeu com seu pai, o escritor Lauro Pinto. Em 2007, resolveu se aposentar da Medicina, sob protestos das suas clientes, as quais lhe prestaram emocional homenagem. Araken será sempre lembrado por todos os que o conheceram. Para estes, fica a saudade da notável figura humana; para a família, a lacuna eterna; das clientes, a gratidão e as orações contritas. A morte não pode significar o nada. A pessoa se perpetua pelos seus descendentes, por suas obras, pelo bem que praticou, pelo amor que dedicou ao próximo, pela grandeza humana que preencheu sua vida. Assim, vida-morte-vida se completam e se perenizam na dimensão maior. Agora, ele chegou a essa dimensão maior e, durante a cruel doença, sobretudo, na hora da passagem, esteve sereno e tranquilo, junto à querida família e sob a luz que vem de Deus.

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