As doenças de Francisco de Goya - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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As doenças de Francisco de Goya

Francisco de Goya nasceu em 30 de março de 1746, no reino de Aragão, um dos precursores do reino da Espanha. Ainda muito jovem, mudou-se de Zaragoza para a cidade de Madri, onde começou seus estudos com o pintor Anton Raphael Mengs. O pai de Goya tinha renda incerta, pois era dourador de retábulos. A prova de uma vida precária está em um documento encontrado nos arquivos da paróquia local: “Não deixa testamento porque não tinha o que deixar”. Em 1771, Goya retornou para Zaragoza, onde abriu ateliê e logo recebeu a encomenda e o desafio para pintar um painel na catedral de Nossa Senhora do Pilar. A obra, com o nome A Glória do Nome de Deus, já mostrava o gênio da pintura que viria a ser aquele jovem aragonês. No entanto, a qualidade da obra de Goya só se revelou alguns anos depois, com os onze murais que ele executou no mosteiro da Cartuxa de Aula Dei, nos arredores de Zaragoza. Após casar-se com Josefa Bayeu, irmã de um dos seus mestres, Francisco Bayeu, Goya voltou a morar na cidade de Madri. 

Na capital da Espanha, com o apoio do cunhado, passou a produzir desenhos para Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara. Por cerca de 10 anos, produziu mais de meia centena de desenhos, para tapeçarias destinadas a palácios, estâncias, museus, igrejas e outros locais próprios para a arte. A maior tela pintada pelo artista aragonês é de 1787, e mede 276 cm por 641 cm, localizada no Mosteiro do Escorial. O sítio que abriga grande parte das tapeçarias de Goya é o Palácio Real de El Pardo, nas cercanias de Madri, em torno do qual surgiram várias edificações históricas, artísticas e religiosas. Com o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1939, o Palácio Real de El Pardo passou a ser a residência de Francisco Franco, até a morte do ditador, em 1975. Essa guerra fratricida deixou um saldo de mais de 500 mil mortos. 

Consolidado o prestígio do pintor Francisco de Goya, após a fase das tapeçarias, sua ascensão na corte tornou-se óbvia e começou a crescer sua fama de retratista. Na maioria dos seus retratos, o olhar dos personagens parece interagir com o espectador. Ao lado de Picasso e de Velázquez, Francisco de Goya é visto como um dos expoentes da pintura espanhola, e até mundial. Suas mais de 800 obras encontram-se nos principais museus do planeta, entre os quais destaca-se o Museu do Prado, em Madri, que abriga cerca de cem pinturas do famoso artista. 

Em 1792, época em que sua fama cada vez mais crescia, visitou as cidades de Cádiz e de Sevilha. Nessa viagem, ficou gravemente enfermo, quando perdeu a visão, a fala e a audição. À época, teve o diagnóstico de sífilis. Passo a passo, voltou a falar e a ver, mas a surdez persistiu até a morte do pintor. Sabe-se que suas obras-primas surgiram após a surdez total. Outro diagnóstico lembrado foi a intoxicação pelo chumbo, devido ao contato frequente com esse metal pesado tão presente nas tintas usadas pelo artista. Em tempos recentes, quase 200 anos depois da morte de Goya, aventa-se a chance de ter sido a Síndrome de Susac a doença que o deixou surdo, conforme afirma a médica Ronna Hertzano, da Universidade de Maryland, nos EUA. Explica a autora que, nessa síndrome, o sistema imunitário ataca pequenos vasos sanguíneos do cérebro, do ouvido interno e da retina. E conclui: “Goya é um fascinante mistério médico”. Francisco de Goya faleceu aos 82 anos, vítima de um acidente vascular cerebral.

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

Publicado na edição desta quinta-feira (21/07/2022) do jornal Tribuna do Norte.

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