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De gêmeos, crise e bicho-do-pé
15.01.2009

Já pensou na estranha condição em que dois gêmeos, ao responderem sobre a data de nascimento, dizem que vieram ao mundo em diferentes dias, meses e anos? Terrance nasceu nove segundos antes da meia-noite do dia 31 de dezembro de 2008, e Tariq, seu irmão, nasceu aos vinte e seis minutos do dia seguinte, ou seja, em primeiro de janeiro de 2009. Os partos ocorreram no Critteton Hospital, na cidade de Rochester, nos Estados Unidos. A mãe, Tangermica Woods, e o seu marido disseram estar felizes, pois os bebês eram saudáveis e já “mostravam identidade própria”, até porque não eram univitelinos, cada um teve a sua placenta. Li essa notícia no site cnn.com, nos primeiros dias do ano novo. Por esses mesmos dias, outra notícia me chamou a atenção. Fui encontrar, na Folha de S. Paulo, uma manchete que faz refletir sobre o momento atual: “Crise diminui pedido de divórcio nos EUA”. Com medo dos custos do processo de partilha dos imóveis, cujos valores estão depreciados, casais se mantêm unidos. Os graves problemas financeiros do país estão forçando os casais a permanecerem casados, ou, pelo menos, a repensarem a decisão anterior. Uma das brigas é ver quem vai ficar com a casa e com as dívidas que a acompanham. Hoje, muitos imóveis nos Estados Unidos valem menos do que a dívida imobiliária. Então, aquilo que era o bem mais valioso passou a ser um peso morto, motivo para dificultar a separação. O advogado Lee Rosen afirmou que a situação está fazendo os casais reviverem o pesadelo do filme “A Guerra dos Roses”, no qual um casal se separa mas continua a viver na mesma casa. Outro advogado, Dennis Lorance, disse que vários clientes estão simplesmente pobres demais para se divorciar. Então, as pessoas suportam a situação. Por outro lado, alguns ricaços estão pensando que essa é a hora boa para o divórcio, porquanto não terão de pagar tanto dinheiro como em épocas de fartura. A psicoterapeuta Roli Ludwig está otimista e diz que muitos casais têm salvado o casamento, quando são forçados a reexaminarem as causas da separação. Infelizmente, a conclusão é de que, lá como aqui, ou em qualquer lugar, os interesses materiais prevalecem, em detrimento de sentimentos mais nobres. Pois é, não há mal que não traga um bem, pelo menos para esses casais salvos pela crise, desde que não fiquem somente nas conveniências ditadas pelo dinheiro. Mais uma vez na Folha descobri uma nota que prendeu minha atenção, no Plantão Médico, assinado pelo colunista Julio Abramczyk. Não é que o conhecido bicho-do-pé, causador de intenso prurido -ou comichão- foi parar nas páginas do The New England Journal of Medicine, uma das mais famosas revistas médicas do mundo? É o relato do caso de rapaz atendido no ambulatório da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, com lesão no dedão do pé. O rapaz tinha voltado de duas semanas de férias – de onde mesmo? – do Brasil, onde andou descalço em seus passeios. Na lesão, jazia em decomposição uma pulga adulta de areia, com inúmeros ovos. O diagnóstico, tão fácil para a maioria dos brasileiros, causou espanto ao médico europeu: tungíase ou bicho-do-pé. Nesses tempos de verão e de férias, é bom saber que a fêmea fertilizada da pulga de areia, ao encontrar um pé descalço, penetra na pele, em geral ao redor das unhas, põe cerca de duzentos ovos e morre. Só há um meio de prevenir: andar calçado em locais que favoreçam a presença dos insetos. Como não escolhe a pele para penetrar, a pulga do bicho-do-pé daquele jovem europeu teve seu dia de fama, indo brilhar na matéria do The New England Journal of Medicine.

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