De gripes e afins - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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De gripes e afins
07.05.2009

A Organização Mundial da Saúde mudou o nome de Gripe Suína para influenza H1N1. A União Europeia batizou-a de Novo Vírus. Trata-se de mais um surto de doença viral, quando o agente infeccioso, próprio de animais, sofre mutações para acometer seres humanos. Os vírus, no geral, têm uma estrutura muito simples, com uma molécula de ácido nucléico (ADN ou ARN) e só se replicam no interior de células vivas, animais ou vegetais. Diferente das bactérias, não sofrem as ações dos antibióticos, mas, iguais a elas, defendem-se e expandem-se por meio de mutações, com mudanças em suas cargas genéticas. É impressionante como essas partículas virais são capazes de enganar as defesas do sistema imunológico humano e de desafiar, poder-se-ia até dizer, a inteligência do ser vivo mais desenvolvido do planeta. A ciência, com tanta evolução, ainda não encontrou a fórmula certa para vencer o poder agressor desses microrganismos tão singelos, que se mantêm à espreita e à espera da hora certa para ameaçar a saúde das pessoas. A migração de viroses de animais para o homem já causou várias epidemias. Muitos se lembram da gripe asiática – 1957 – e da gripe de Hong Kong – 1968 –, ambas provindas de aves. Na década de 90, surgiu o mutante H5N1, temível pela alta letalidade, mas de pequeno poder de transmissão entre os seres humanos. Sagases, os agentes virais não sossegam, e, agora, atacam por meio de cepas até então restritas aos suínos, as quais se camuflaram para entrar na cena de guerra e causar novos temores em todo o mundo. O ideal seria o contra-ataque com a vacinação em massa, para a formação de anticorpos específicos. Porém, existe o óbice do tempo mínimo de seis meses para se ter a vacina. Enquanto isso, é apelar para os métodos gerais de prevenção. Falando de gripe, é bom lembrar que existe uma grande diferença entre essa doença e o resfriado. Não raro, vemos pessoas que dizem estar gripadas, quando, na verdade, estão resfriadas. Dráuzio Varela, em um dos seus livros, diz que a diferença entre as duas viroses se mostra pela rotina da pessoa doente: se saiu de casa e foi trabalhar, é resfriado; se ficou deitada, é gripe. Porém, existem sempre alguns espertos... Nesses tempos de vacinação para gripe, cabe a pergunta: por que essa vacina não confere imunidade duradoura? A resposta repousa no ardil dos vírus de se modificarem com frequência. A OMS está sempre a identificar os tipos de vírus que estão causando epidemias, contra os quais são produzidas as novas vacinas. A OMS atribuiu alerta 5, quanto à possibilidade de pandemia da gripe H1N1 se definir. Três palavras, que têm em comum o elemento grego “demos” (povo, região), reportam-se à incidência de uma doença em determinada área geográfica: endemia, epidemia e pandemia. Diz-se que a malária é endêmica no Brasil, pois se mantém, em algumas regiões, com números históricos de pessoas doentes. Na epidemia, a incidência é alta, são muitos casos da doença em uma área geográfica, ao mesmo tempo. No passado, a varíola causou graves epidemias em diversos países, inclusive no Brasil. Indo além, em termos de pessoas infectadas e em extensão de áreas atingidas, fala-se em pandemia, ou seja, uma epidemia de grandes proporções, que perpassa continentes, ou chega mesmo a ser global. Parece inevitável a pandemia da atual gripe H1N1. Mas não há qualquer motivo para pânico. É provável que a gravidade não supere a de uma gripe comum. Não será desta vez – espero que nunca ocorra – que os vírus vão repetir César, no Senado Romano: “ Veni, vidi, vici”, vim, vi, venci. Já bastam as tantas células humanas nas quais de graça se hospedam e se replicam.

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