Escola de escritor - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
  • Home
  • Institucional
  • Escola de escritor

Notícias

Escola de escritor
31.10.2013

É possível alguém aprender a ser escritor? Há regras para garantir a criação de um bom romance, de um bom conto, ou de outro gênero da escrita? Conheço uma médica, professora aposentada da Unicamp, autora de uma criativa obra sobre a velhice, que me afirmou ter obtido grandes melhoras na arte de escrever após aulas tidas em oficinas com esse intuito. Resolvi escrever sobre esse tema ao ler um texto na Folha de S. Paulo, autoria de Cassiano Elek Machado, sobre a vinda ao Brasil do escritor inglês Richard Skinner, autor do livro Fiction Writing. Em todo o mundo, Skinner é o maior defensor das oficinas e cursos de escrita criativa, motivo da sua presença em São Paulo, poucos dias atrás.

As opiniões divergem quando se trata desse assunto, e, como sempre ocorre em temas polêmicos, há opções extremas a favor ou contra, além daquelas que ocupam os espaços do meio, isto é, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não obstante, existe uma convergência de ideias, no tocante ao valor da leitura na formação do escritor. Paul Auster, autor norte-americano detentor de muitos prêmios literários, em entrevista dada à Paris Review em 2003, face a uma pergunta sobre o despertar da arte da escrita, assim se expressou: "O verdadeiro leitor compreende que os livros são um mundo em si mesmos – e que esse mundo é mais rico e mais interessante do que qualquer outro em que já tenhamos estado. Acho que é isso o que transforma um jovem ou uma jovem num escritor ou escritora – a felicidade que se descobre vivendo nos livros. A gente ainda não correu o mundo suficientemente para ter sobre o que escrever, mas chega o momento em que percebe que nasceu para fazer isso".

Assim, a boa escrita depende de muita leitura prévia. Todo bom escritor recebe influência de bons autores que foram lidos em algum tempo, em passado remoto ou recente. Pode alguém pensar em ter melhor influência no uso da palavra do que aquela provinda da cultura literária? O talento porventura presente em alguma pessoa poderá permanecer adormecido se não estiver desperto por uma eficaz formação cultural. Voltando a Paul Auster, na mesma entrevista ele diz que vários autores americanos tiveram influência sobre sua produção literária, em especial Poe, Melville, Whitman, Thoreau e Nathaniel Hawthorne. Lá na frente, ele confessa sua profunda admiração pelo autor de "A letra escarlate", obra que considera a mais significativa da literatura dos Estados Unidos. E revela a grande influência de que desfruta: "Tem alguma coisa na imaginação de Hawthorne que parece ecoar na minha, e estou sempre voltando a ele, aprendendo continuamente com ele". Embora se entenda que toda obra humana nasce de experiências anteriores, haja vista a frase de Harold Bloom "A grande escrita é sempre reescrita", não se pode, em nome dessa verdade, aceitar o simplório plágio, tão banal e tão vazio.

O notável escritor peruano, Mario Vargas Llosa, detentor do Prêmio Nobel de Literatura 2010, no livro Cartas a um Jovem Escritor, fala na vocação literária, a qual assim define: "Predisposição de origem obscura que leva certos homens e certas mulheres a dedicar a vida a uma atividade para a qual, um dia, se sentem chamados, quase obrigados a exercer, por intuir que somente abraçando tal vocação de escrever se sentirão realizados, de bem consigo mesmos, dando o melhor de si, sem a dolorosa sensação de estar desperdiçando a vida". Llosa fala do estilo pessoal que cada escritor precisa criar, pois só assim ele poderá chegar ao ritmo do texto, com o uso de linguagem com palavras certas para transmitir uma ideia.

Sou um tanto cético em relação à eficácia desses cursos, com ênfase para a ficção. Porém, para quem escreve, é bom ter sempre em mente a frase, cujo autor não lembro: "É fácil escrever difícil, o difícil é escrever fácil".

Utilizamos cookies para assegurar que lhe fornecemos a melhor experiência na nossa página web.

Política de Privacidade Ver opções