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Eu tenho um sonho
04.09.2013

Em 28 de agosto passado, o mundo celebrou os 50 anos do discurso histórico – I have a dream – proferido por Martin Luther King (1929 – 1968), em Washington, na presença de 250.000 pessoas. Mesmo com a abolição da escravidão ocorrida um século antes, os Estados Unidos continuavam com práticas malditas de segregação racial. Negros e brancos não podiam frequentar os mesmos ambientes; para as crianças negras, sobravam apenas as escolas inferiores; até os banheiros em locais públicos e privados eram separados, como se houvesse distinção na cor e no odor dos dejetos em função da pele do usuário. E o ódio era crescente entre brancos e negros, naquele país que assumiu a posição de líder do planeta, após a Segunda Guerra Mundial. Em 1955, no Alabama, registra-se um evento que revelou essa tensão vivida pelo povo americano: Rosa Parks, mulher negra de 42 anos, dentro de um ônibus a caminho de casa, recusa-se a sair de um assento que estava reservado às pessoas brancas, só deixando o lugar por ação policial. Rosa Parks praticou um ato não violento, mas de grande força emocional, como protesto pela restauração dos seus direitos civis usurpados.

Martin Luther King adotou os meios pacíficos de resistência às injustiças, à discriminação e à segregação raciais. Com formação teológica, o pastor Luther King – Prêmio Nobel da Paz 1964 –, recebeu influência de Gandhy e Thoreau, além das lições de Leon Tolstói – segundo os experts –, a fim de seguir a rota da conquista civil por meio de métodos não violentos. Seu discurso "I have a dream", feito meio século atrás, é uma obra-prima em busca da igualdade, da fraternidade e da paz entre os homens, sem incitar ao ódio, mas a favor de mudanças cruciais para se chegar à justiça social e à solidariedade. Desde então, muitos avanços foram galgados, mas ainda há muito o que fazer. A eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unido pode ser vista como um desses avanços, mas até ele mesmo, Barack Obama, fala das tantas distorções que persistem. O ódio matou Martin Luther King, em 1968, porém, o seu sonho não morreu.

A revista Time dedicou edição especial – 26/08/2013 –, comemorativa dos 50 anos da Marcha sobre Washington, quando Luther King conclamou seu país e o mundo para ouvirem o brado das ruas, dos que padecem de opressões sociais. A revista mostra a grandeza do evento, e um texto do jornalista Jon Meacham iguala o líder negro a Jefferson e a Lincoln no ranking dos grandes nomes que moldaram a moderna América. Ao começar as palavras sobre o seu sonho, King assim se expressou: "Digo a vocês hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se erguerá e corresponderá em realidade ao verdadeiro significado do seu credo: consideramos essas verdades manifestas, que todos os homens são criados iguais". A edição da Time traz vários depoimentos de pessoas que prezam e cultuam os ideais do grande pastor negro, inclusive de algumas presentes naquele memorável 28 de agosto. Colin Powell, Secretário de Estado de 2001 a 2005, disse que a Marcha provocou uma segunda guerra civil, mas uma guerra de moral, de retidão e de resgate das ideias dos fundadores da pátria. O reverendo Marcus Garvey Wood, ex-professor de King, testemunha viva do evento, revelou: "Pareceu para mim que o espírito de Deus veio sobre ele".

No meio do discurso, Luther King disse: "Este verão sufocante da insatisfação legítima do negro não passará enquanto não chegar um outono revigorante de liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo". Diante dos recentes movimentos populares no Brasil, o povo nas ruas a mostrar a enorme insatisfação por tantos acintes aos seus legítimos direitos, podemos pensar que 2013 não é um fim, mas apenas um começo?

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