Freud com os escritores - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Freud com os escritores
01.05.2014

A foto mostra Freud a observar seu próprio busto, esculpido por Oscar Nemon, em 1932. Assim é a capa do livro "Freud com os escritores", dos autores J. B. Pontalis e Edmundo Gómez Mango, lançado no Brasil pela editora Três Estrelas, 2013. Oscar Nemon (1906-1985) é um famoso escultor croata, mais conhecido pelas estátuas que esculpiu de Sir Winston Churchill. Jean-Bertrand Pontalis, consagrado psicanalista francês, autor de dezenas de livros, é adepto da relação entre psicanálise e literatura. Faleceu com 90 anos, em 15 de janeiro de 2013. Edmundo Gómez Mango (1940), psiquiatra e psicanalista, escritor, é professor de literatura em Paris.

Edmundo Mango respondeu por e-mail algumas questões feitas pela Folha de S. Paulo, através da colunista Raquel Cozer, o que resultou na matéria publicada no caderno Ilustrada, em 22 de fevereiro passado. O livro "Freud com os escritores" chegou ao Brasil nesse meio tempo, cerca de um ano após a morte de Pontalis. Na entrevista, Mango expõe algumas nuances de criações literárias que influenciaram a obra de Freud. E diz que o pai da Psicanálise chamava certos escritores de "os avançados", porque exploraram importantes aspectos do conflito psíquico. Ressalta que o romantismo alemão preparou o terreno para Freud na representação do sonho. Porém, não o afastou de procurar a compreensão do sonho na condição da pessoa dividida entre o eu consciente e suas forças inconscientes. Mango afirma que Freud foi um escritor científico e literário – recebeu o Prêmio Goethe, em 1930 – e que essa "dualidade mantém até hoje a obra que revolucionou a concepção do homem moderno".

Sigmund Freud nasceu em 06 de maio de 1856, em Freiberg, então do Império Austríaco, e morreu em Londres, a 23 de setembro de 1939. Formou-se médico em 1881, na Universidade de Viena, e casou-se com Martha Bernays em 1886, com quem teve seis filhos. Sigmund Freud, logo cedo, voltou-se para a pesquisa científica e para a leitura literária. Caminhou, ao longo do tempo, pela hipnose, pelo valor do desejo sexual como energia maior da vida humana, pelas questões psicológicas entre genitores com filhos e filhas – Complexo de Édipo –, pelos significados e origem dos sonhos, à procura da chave do inconsciente, a fim de desvendar os conflitos e os tumultos que povoam e agitam a alma humana. Nos seus estudos, Freud usou a autoanálise e muitos casos da sua própria prática médica. Sua maior obra escrita é "A interpretação dos sonhos", de 1899, e seu grande legado à humanidade é a criação da Psicanálise, um método clínico de diagnóstico e tratamento dos conflitos da psique.

O livro "Freud com os escritores" oferece uma ótima leitura. São ensaios reunidos e escritos pelos dois autores isoladamente, conforme as iniciais de cada um ao final de cada texto. No conjunto, os ensaios mostram a influência de grandes nomes da literatura mundial na obra de Sigmund Freud, com destaque para Shakespeare e Goethe. O fundador da Psicanálise é visto não somente como um expoente na pesquisa científica, mas também como um excelente escritor. São vários nomes de famosos autores constantes no livro: Shakespeare, Goethe, Dostoiévski, Thomas Mann, Stefan Zweig, Émile Zola, entre outros. Sobre Shakespeare, diz o ensaio de Pontalis, ao se referir sobre os textos em que o fundador da Psicanálise cita o autor de Hamlet: "Citações, por mais abundante que sejam, não bastam para evidenciar uma impregnação – que é muito mais que uma influência. Repito: Freud impregnou-se de Shakespeare, incorporou-o".

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