Histórias de misses - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Histórias de misses
15.12.2008

Em conversa com o jornalista Paulo Macedo, ouvi histórias interessantes sobre o concurso Miss Rio Grande do Norte do passado. Por muitos anos, Paulo Macedo foi o coordenador do evento, que visava escolher a jovem mais bonita do Estado, a fim de concorrer no Miss Brasil, o qual se realizava no Rio de Janeiro. Com o tempo, esses conclaves foram perdendo glamour, mas, décadas atrás, mobilizavam toda a sociedade. Além das candidatas de Natal, vinham moças de várias cidades do Estado. Surgiam grandes patrocinadores, a imprensa dava total apoio, formavam-se torcidas organizadas, enfim, era um fato social de enorme relevo. O primeiro caso contado por Paulo Macedo refere-se a um namorado doente de ciúme, por ver o amor da sua vida se projetar como provável vencedora. Tratava-se de moça lindíssima, esbelta e faceira, com as medidas todas nos padrões e um rosto encantador. À medida que aumentavam as chances de a moça vencer, crescia o ciúme do jovem namorado. Ela até que aceitava desistir de tudo, mas seus pais não permitiram, vendo aquele momento como uma porta que podia se abrir para o futuro da filha. O namorado, que não concordava com a viagem da sua querida para o Rio de Janeiro, combinou com ela um plano para retirá-la da competição. Com o Palácio dos Esportes superlotado para a última etapa, no instante em que a linda candidata desfilava, ouviu-se um forte estampido. O plano funcionou: o namorado deu um tiro de revólver para o alto, houve corre-corre, e a jovem, de propósito, pulou da passarela com o intuito de se desclassificar. Grande sufoco para o coordenador do concurso, mas um final feliz para o ousado casal. No segundo caso, Paulo Macedo conta a história de um pai que o procurou para falar da formosura de uma filha, que ele queria apresentar para concorrer a Miss Rio Grande do Norte. O pai, funcionário público em uma cidade perto de Natal, convidou o cronista para ir à sua casa, a fim de conhecer a moça que seria forte candidata ao título máximo da beleza norte-rio-grandense. Estaria esperando Paulo Macedo no domingo, para almoçar com a família. Mandaria preparar um guisado de galinha gorda caipira. O convidado aceitou o convite e foi para a missão, a qual se transformou em surpresa e decepção. A moça, toda vestida de preto, parecia muito simpática, mas desprovida de qualquer beleza física. O porte era o oposto ao previsível nesse tipo de conclave e faltavam dois dentes na arcada superior. Paulo, durante o almoço, só pensava o que dizer para descartar a “beldade”. Foi quando perguntou o motivo do vestido preto: “Estou de luto pela morte da minha avó”. E, na hora, veio a idéia que faltava: “É uma pena, você não pode participar do concurso, pois o regimento não permite ninguém de luto se inscrever”. Esse relato recheado de humor, ouvi do amigo Paulo Macedo durante uma reunião-almoço do Rotary, alguns meses atrás. Os dois casos do concurso Miss Rio Grande do Norte voltaram a minha lembrança ao ler, há poucos dias, três crônicas constantes no livro Crônicas Inéditas I, de Manuel Bandeira, sobre a eleição de Miss Brasil, no Rio de Janeiro, em 1929. Bandeira diz que a cidade esqueceu até a febre amarela, pois a população estava empolgada na escolha da beleza feminina máxima do Brasil. O livro traz 113 notáveis crônicas inéditas escritas pelo poeta maior e publicadas em revistas e jornais, entre 1920 e 1931, sob as lentes do modernismo, com ênfase sobre a vida no Rio de Janeiro daquele período. Um primor de livro, organizado por Júlio Castañon Guimarães, edição da Cosac Naify – 2008.

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