O conto de Natal, de O. Henry - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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O conto de Natal, de O. Henry

William Sidney Porter, filho de um médico do interior, nasceu em 1862, na Carolina do Norte, e morreu em 1910, em Nova York. Muito jovem, William foi trabalhar na drogaria de um tio e deixou o estudo regular. No entanto, persistiu com suas leituras de alguns autores famosos e avançou na pesquisa voltada para uma edição atualizada do Dicionário Webster. Com esse intuito, mudou-se para Austin, no Texas, aos 22 anos. Conheceu uma bonita moça, filha de um ricaço local e logo se casaram, quando recebeu do sogro um emprego em um grande banco. E aí começaram outros problemas para William S. Porter: foi acusado de desvio de dinheiro do banco, ganhou má fama e perdeu o emprego. Assim começou a vida de um dos melhores contistas norte-americanos.

Entre ser condenado e absolvido, entre prisão e fuga, William Porter refugiou-se por uns tempos em Nova Orleans e, depois, fugiu para Honduras, país onde moravam muitos norte-americanos, além do seu domínio da língua espanhola, que aprendera nos estudos do Webster. Vivia o exílio dos sonhos: dinheiro no bolso, mulheres bonitas, água de coco à vontade e muita paz. Passou a publicar contos em jornais do país. Em meio a essa vida calma, soube que sua mulher, com quem continuava casado, estava com uma doença grave, na cidade de Austin. Resolveu, então, retornar aos Estados Unidos, e, ao chegar, foi logo preso, para cumprir 3 anos e 3 meses de prisão na penitenciária de Ohio. Os anos de reclusão serviram-lhe para escrever sem parar alguns dos seus principais contos. Nessa fase da vida, já havia deixado de lado o nome de batismo e usava o pseudônimo de O. Henry, pois queria sepultar de vez seu nome de origem.

Os finais dos contos de O. Henry são sempre inesperados, além de despertar risos e/ou choros, a exemplo do conto Presente de Natal, conforme resumo, a seguir. Na véspera de Natal, mesmo sem dinheiro, um jovem casal resolve se presentear. Os dois, Jim e Della, saem por Nova York em busca de uma solução secreta para seus anseios afetivos. Ele possui somente um velho relógio de algibeira, herança do avô e do pai, porém sem a devida corrente. Ela só dispõe das belas madeixas castanhas do seu longo cabelo. Della vai a uma loja de perucas e vende seu lindo cabelo por 20 dólares, mas quase chora ao perder suas madeixas. Em seguida, compra, pelo mesmo valor, o presente do seu querido noivo, uma corrente para o antigo relógio de tanta estima. Ao mesmo tempo, Jim vende o seu único bem material, o bendito relógio, e, com o dinheiro, compra o presente de Natal para a sua amada: um pente de concha de tartaruga com armação de prata, digno dos seus lindos cabelos. Em lágrimas os dois se abraçam, choram e riem quando entregam seus – agora inúteis – presentes. O. Henry ainda faz uma alusão aos presentes dos Reis Magos, na noite do Natal, que também pareciam inúteis, cuja história ainda hoje é contada, depois de tantos séculos.

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

Artigo publicado na edição desta quinta-feira, 23/12/2021, do jornal Tribuna do Norte


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