O que é o tempo? - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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O que é o tempo?
20.02.2014

No Brasil, para quase 1 milhão de pessoas com forte deficiência visual, existem tão somente cerca de duas centenas de cães-guia, prontos e treinados para prestarem seus serviços às pessoas que precisam dessa fantástica ajuda. A professora Maria Rosa Delmasso, de São Paulo, disse que perdeu a visão duas vezes: a primeira, duas décadas atrás, ao sofrer descolamento de retiO ano de 2014 já corre célere: o primeiro mês passou num abrir e fechar de olhos, e o segundo, mais curto, lembra cobra de duas cabeças, ou seja, começo e fim parecem estar no mesmo lugar. O que está havendo com o tempo? De um modo geral, as pessoas assim se perguntam e sentem a rapidez com que as horas, os dias, os meses e os anos se sucedem. Os fenômenos físicos permanecem os mesmos, o calendário nada mudou, os relógios continuam no tic-tac ritmado, constante e inexorável. Todos sabem que foi somente o modus vivendi de hoje que mudou, a vida mais calma do passado deu lugar ao corre-corre atual, ao estresse do dia a dia. A competição mais intensa, a busca por um lugar ao sol, o mergulho no consumo insensato, as cobranças sem freios de uma sociedade tecnicista, e até o trânsito louco das grandes cidades, levam as pessoas a virarem peças de uma engrenagem que nunca para. E o lado humanístico e contemplativo da vida se esvai e se esgarça na voragem do tempo super veloz. Não sei quem sofre mais, se os de menor idade, que já cresceram nesse tumulto, ou os mais velhos, que viveram épocas nas quais o tempo parecia não ter tanta pressa.

E nesse quase louco frenesi, vamos ficando mais velhos com mais rapidez. Não, não é isso, mas essa é a sensação, pois não sentimos o tempo passar. De repente, paramos para pensar e vemos como os anos se foram, como as décadas ficaram para trás. Há quem diga que esse turbilhão do mundo atual é bom, exige constante movimento, com os desafios à sua frente a cobrar-lhe uma ação para competir, no mínimo, de igual para igual. Defendo que o estresse moderado faz bem, desde que não seja constante e não desande para uma vida de angústia. No entanto, para a maioria das pessoas o estresse é intenso e quase diário. Nesses casos, o envelhecer não é só aparente, porquanto a saúde individual se abala, e nisso se vão alguns anos de vida.

Por outro lado, o marasmo por demais longo também estressa, chega a ser uma chatice de grandes proporções. O corpo e a mente do homem pedem ação, pois conseguem mais vigor quando estão a trabalhar, ao vencerem a inércia e ao superarem o natural apelo à lassidão. Querem exemplos? São muitos. Basta um olhar sobre as pessoas que precisam de um esforço maior para suplantar algumas limitações. Os atletas paraolímpicos estão aí para provarem a força que tem a decisão mental de vencer possíveis barreiras. Um dos mais destacados físicos da atualidade, o inglês Stephen Hawking, doente de esclerose lateral amiotrófica desde os 21 anos, é um exemplo de como são pródigos os resultados de uma mente ativa, mesmo que o corpo esteja inerte. Hoje, aos 72 anos, continua Professor da Universidade de Cambridge, apesar de se comunicar apenas por meio de um sistema computacional, com um sensor ligado aos seus pequenos movimentos faciais.

Comecei este texto falando sobre os efeitos ruins da agitação do mundo moderno, com a sensação da passagem rápida do tempo. E o que é o tempo? Todos nós temos uma noção do que seria uma resposta correta, mas não temos certeza. Em “Confissões”, Santo Agostinho escreve sobre o conceito de tempo: “Se ninguém me perguntar, eu sei o que é; porém, se quiser explicá-lo a quem me pergunta, já não sei”. E ele explica que, se o tempo presente não passasse para o pretérito, não seria tempo, mas eternidade. Bom, de minha parte, prefiro que o tempo presente passe, mesmo assim tão veloz, e que a eternidade fique um pouco mais para a frente.

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