Paris é uma festa - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Paris é uma festa
22.04.2010

A Moveable Feast, livro que no Brasil tem o título de “Paris é uma festa”, foi publicado pela primeira vez em 1964, ou seja, três anos após o autor, Ernest Hemingway, cometer suicídio. O texto reporta-se ao período de 1921 a 1926, quando o escritor vivia na capital da França, fazendo parte da “geração perdida”, termo criado por Gertrud Stein para aqueles expatriados que buscaram a roda-viva cultural da França, frente às agruras da guerra. De fato, Hemingway tentara se alistar para a guerra de 1914-1918, mas só conseguiu ser chofer da Cruz Vermelha. Em solo da Itália, foi ferido por uma granada, o que lhe valeu uma condecoração por bravura. Retornou à terra natal – Chicago, USA – e, depois de três anos, mudou-se para a França, na condição de correspondente estrangeiro do jornal Toronto Star. Em julho de 2009, uma polêmica surgiu nos Estados Unidos, quando Seán Hemingway, neto do autor de A Moveable Feast, lançou uma nova versão da obra, que ele a identificou como The Restored Edition. Para isso, Seán contou com o apoio do seu tio, Patrick Hemingway, filho e único herdeiro direto de Ernest Hemingway, a quem cabe a exclusiva decisão de autorizar reedições das obras do notável escritor. A Moveable Feast – The Restored Edition –, causou frisson entre os estudiosos da produção literária do americano e, em especial, causou forte reação de A. F. Hotchner, biógrafo e amigo de Hemingway. Hotchner publicou artigo no “New York Times” no qual acusa Seán de ter alterado o texto original a fim de proteger sua avó, Pauline, segunda mulher de Ernest. Na verdade, a edição original, lançada sob a tutela de Mary, quarta mulher do escritor, mostra Pauline como a principal responsável pelo fracasso do casamento de Hemingway com sua primeira mulher, Hadley. Pauline teria se aproximado de Hadley com o intuito de tomar-lhe o marido. Seán, que é curador-associado do Museu de Arte Metropolitana de New York, defende-se e diz que se louvou nos manuscritos guardados na Kennedy Library, em Boston, os quais já renderam diversos estudos. Ele conta com o apoio de vários pesquisadores da obra de Hemingway, inclusive de Sandra Spanier, professora da Universidade do Estado da Pensilvânia. Pela Amazon.com comprei o livro A Moveable Feast – The Restored Edition, há menos de um ano lançado nos Estados Unidos. A obra traz vários fac-símiles de rascunhos feitos por Ernest Hemingway e que não foram considerados na edição de 1964. Antes dos diversos capítulos, os quais diferem da versão original quanto à ordem, aos títulos e, em parte, aos conteúdos, estão o prólogo, escrito por Patrick Hemingway, e a introdução, por Seán Hemingway. Na introdução, Seán fala dos erros da primeira edição e das correções na versão restaurada. Diz também que, nos três anos entre a morte de Ernest e a primeira publicação de A Moveable Feast – na primavera de 1964 –, várias mudanças foram feitas nos manuscritos, pelos editores e por Mary Hemingway. Um dos pontos mais controversos refere-se ao capítulo dedicado a Scott Fitzgerald, amigo de Hemingway, ambos figuras marcantes do tempo áureo pós-primeira grande guerra, vivido em Paris por insignes escritores de outras plagas, tais como Joyce, Ezra Pound, Ford Madox Ford, Gertrud Stein, entre outros. Na edição restaurada – 2009 –, o conceito e a imagem de Pauline surgem em condições mais dignas. Nessa edição, pode-se ler que o famoso escritor assume o remorso pela sua separação com Hadley, e fala em grande felicidade ao lado da segunda mulher, Pauline. Sobre o livro, Seán afirma ser esta a real representação da obra de memórias que seu avô tencionou publicar.

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