Ricardo III - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Ricardo III
23.01.2014

Rever o filme Ricardo III foi um dos meus bons instantes de lazer, em dias recentes. O filme reúne um dos maiores gênios da humanidade, William Shakespeare (1564 -1616), com um dos gênios da arte cênica, Laurence Olivier (1907-1989), ambos ingleses de nascença e de vivência artística. Instigado pelo suspense das cenas e pela força das palavras dos atores, com solilóquios que prendem a atenção e exigem um mergulho mental do espectador, resolvi reler em parte o texto criado nos primeiros anos da década 1590. Sabe-se que outros dramas históricos shakespearianos, como Ricardo 2º e Henrique 4º, foram escritos também neste período.

A peça de Shakespeare refere-se a uma fase da história da Inglaterra, durante a Guerra das Rosas, que durou de 1455 a 1485, quando os dois ramos da dinastia Plantageneta – a Casa Real de York e a Casa Real de Lancaster – se envolveram em conflitos políticos e armados em torno do poder. Em 1471, o yorkista Eduardo IV recupera o trono, depois de grandes lutas, muitas batalhas e mortes. Eduardo IV morre em 1483, e o filho de 12 anos, Eduardo V, herdeiro natural do reino, não chega a ser coroado, pois seu tio por parte de pai, o Duque de Gloucester, usurpa-lhe o trono e assume o poder com o nome de Ricardo III. Esse sangrento reinado de apenas dois anos marca o fim de dinastia Plantageneta, que perdurou por mais de três séculos, e define o início da dinastia Tudor, com a ascensão de Henrique Tudor, depois chamado de Henrique VII.

A história põe o rei Ricardo III em lugar próprio dos vilões, pessoas ambiciosas ao extremo, capazes de trair, de tramar, de mentir, de destruir e de matar para conseguir seus intentos. Há registros de que ele sofria pela feiura física, mas se gabava de ser tirano e atroz. Na condição de Duque de Gloucester, teria planejado a morte de todos os possíveis sucessores do rei Eduardo IV, inclusive de seu irmão Clarence. Depois de assumir o trono, Ricardo III tinha visões de ameaças, ao lembrar do sobrinho, príncipe Eduardo, apesar de o menino estar preso na Torre de Londres, ao lado do irmão mais novo, por manobras do próprio tio. Não demorou para que as duas crianças fossem mortas.

Há quem diga que Shakespeare carregou nas cores no tocante à maldade do Duque de Gloucester. Existe mesmo alguém assim tão perverso? Na verdade, Shakespeare descerrou todas as cortinas da alma humana. Em Lições dos Mestres, Harold Bloom afirma: "O inventário da experiência humana de Shakespeare é considerado, com justiça, praticamente insuperável".

O filme Ricardo III (1956) apresenta cenas de grande impacto visual e emocional. No papel do rei, Laurence Olivier demonstra toda sua genialidade. As obras de Shakespeare levadas ao teatro e ao cinema deram-lhe grandes glórias, a exemplo de Hamlet (1948), quando ganhou 4 Oscars. Olivier ainda atuou em Henrique V (1945) e Otelo (1965). Uma das cenas mais fortes ocorre no final do filme, quando Ricardo III, na batalha de Bosworth Field, sozinho e cercado por inimigos, com os pés no chão – seu cavalo havia morrido – e com uma espada na mão, grita por duas vezes: "A horse! My Kingdom for a horse!" – "Um cavalo! Meu reino por um cavalo!".

O corpo do rei foi sepultado sem honras e ficou perdido por séculos. Em 2012, na cidade inglesa de Leicester, escavações, em um local onde houvera outrora um mosteiro, descobriram restos mortais que a ciência provou ser de Ricardo III. Também foi provado que o rei vilão tinha lombrigas em seu estômago.

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