Shakespeare and Company - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Shakespeare and Company
09.10.2008

Os melhores manuais turísticos de Paris remetem à Shakespeare and Company, uma livraria especializada em títulos da língua inglesa. Tudo começou quando a norte-americana Sylvia Beach, apaixonada por Paris, foi morar na cidade, em 1919. Atenta à necessidade de livros em inglês na capital da França, Sylvia abriu a Shakespeare and Company, na rue de l’Odeon, perto de St. Germain-des-Prés. Dotada de bons atributos literários, fez da livraria um ponto de encontro de escritores norte-americanos e britânicos em Paris. Ernest Hemingway, em seu livro célebre “Paris é uma festa”, descreve essa loja como “... um lugar quente e amistoso com uma grande estufa no inverno, mesas e prateleiras com livros, novos títulos na vitrine e, nas paredes, fotografias de escritores famosos, vivos e mortos”. Além de Hemingway, lá estavam, com freqüência, James Joyce, Gertrude Stein, Ezra Pound e F.Scott Fitzgerald, entre outros. A livraria foi fechada em 1941, quando os nazistas ocuparam Paris, pois a fama de ponto de encontro de pessoas altivas e com idéias libertárias não interessava aos invasores. Três anos depois, quando Hemingway entrou na cidade com as tropas americanas, ele liberou as instalações, mas a loja não reabriu as portas. A glória maior da Shakespeare and Company de Sylvia Beach é ter feito a primeira edição do Ulisses, de James Joyce, porque os outros editores recusaram por considerarem obsceno e escandaloso. No livro “Proust at the Majestic”, de Richard Davenport-Hines, editado nos Estados Unidos (2006), na página 47, está escrito que Sylvia Beach, no dia dois de fevereiro de 1922, tinha ido sozinha para a estação esperar o trem Dijon-Paris, às sete horas da manhã: “Eu estava na plataforma, meu coração parecia uma locomotiva, quando o trem parou, e vi o guarda segurando um pacote e procurando por alguém - eu. Em poucos minutos, bati à porta de Joyce e lhe entreguei a cópia nº1 do Ulysses”. Uma década depois que a livraria de Sylvia Beach foi fechada, abre as portas a segunda versão da Shakespeare and Company, sob as bênçãos de George Whitman, norte-americano de Nova Jersey, nascido em 1913. Com idéias socialistas, sonhador, desde cedo mostrou aptidão para a leitura. Tinha afeição pelos livros, lia com obstinação, era rebelde dentro e fora da escola e se formou em jornalismo. Viajou pelo mundo, fez-se andarilho no México, até que foi parar na França. Em um pequeno quarto de hotel no boulevard St. Michel, em Paris, montou simples biblioteca de livros em inglês, os quais podiam ser emprestados ou alugados. Aos clientes da biblioteca, ele oferecia sempre um bom café. Era o embrião da livraria aberta em 1951, com o nome de Le Mistral, que depois passou e se chamar Shakespeare and Company, por autorização de Sylvia Beach. Além do rico acervo em inglês, a loja tem e sempre teve a característica de acolher e abrigar escritores e poetas que precisam de ajuda. Mais de 40 mil pessoas já dormiram nessa loja. Visitei a Shakespeare and Company na recente viagem que fiz a Paris. Pude ver aquilo que já conhecia de leituras: pequeno prédio na Rive Gauche do Sena, com vistas para a Notre Dame, três andares com algumas singelas camas entre livros e prateleiras. A loja agora é dirigida por Sylvia Whitman, filha de George. Perguntei por ele: “Está bem, mas deixou a livraria, mora em um apartamento”. Percorri, olhei, comprei e fiz fotos, em especial da frase na parede, símbolo da loja de George Whitman: “Não seja um mau anfitrião para os estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados”.

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