“Sic transit gloria mundi” - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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“Sic transit gloria mundi”
30.07.2009

A morte surpresa de Michael Jackson mexeu com as mentes dos fãs e afins ao redor do mundo, seja por saudade do ídolo, seja por curiosidade ou até mesmo pelo mistério do qual o fato se revestiu. Por vários dias, a mídia manteve o evento em destaque e o foco voltado para a vida do artista. Não se falava em outra coisa, inclusive por parte de quem nunca soubera nada sobre o célebre rei do pop. De minha parte, quase nada sei a respeito de Michael Jackson, somente conheço algumas das suas músicas. Outras, de que também gosto, nem mesmo sabia que era ele o cantor. Portanto, fiquei mais a observar as reações das pessoas, quando isso me chamava a atenção, como no momento em que entrei em uma loja para comprar uma camisa e ouvi a conversa de três funcionários sobre o midiático funeral do dia anterior. Demorou para que um deles viesse me atender. Escolhi a camisa e fui ao caixa fazer o pagamento. Lá, estavam duas funcionárias e a minha mulher, que me acompanhava, absortas nos comentários sobre o ato fúnebre em apreço, o qual, conforme se comenta, foi mais um show de aparências. Elas sabiam os detalhes de tudo o que havia acontecido. A jovem que recebeu meu cartão de crédito não parava de falar e tive cuidado para não haver engano na operação de praxe. No dia seguinte, muito cedo, sigo para a academia onde faço exercício, para compensar o sedentário que sou na maior parte do tempo. No hall de entrada, o vigia e três rapazes que cuidam do local estavam de pé, em frente a um televisor. Julguei que fosse algum jogo de futebol, mas, que nada, era mesmo um documentário sobre Michael Jackson. Somente um respondeu ao cumprimento do bom-dia, tão ligados estavam ao programa. Fiquei por perto, alguns minutos, quando um deles disse: “A música que eu mais gosto é We are the world”; e um outro cantarolou em seguida: “We are the children”, num inglês, penso, para nativo nenhum botar defeito. Na mesma academia, um cidadão da limpeza me abordou, pois ouvira falar que o caixão de Michael Jackson custara 25 mil dólares e queria saber quanto era em real. Quando lhe falei que seria em torno de 50.000 reais, ele exclamou: “Isso é um absurdo, dava pra comprar minha casa e ainda sobrava alguns trocados”. Concordo com aquele cidadão, não somente para este caso, mas também para muitos outros bem mais absurdos. A verdade é que a morte desse artista tornou-o ainda mais popular e abre espaço para muitas especulações e estudos, como, por exemplo, para áreas da psicologia. E a medicina? São de estarrecer as notícias sobre os “cuidados” médicos recebidos pelo cantor. A medicina é uma só, e o ser humano é também semelhante em qualquer lugar do mundo. Portanto, a ética médica deve variar pouco, na dependência da cultura de cada região. Se as notícias veiculadas são verdadeiras, Michael Jackson foi vítima de quem deveria cuidar da sua saúde, ou seja, quem deveria ser seu protetor, foi seu algoz. Essa recente história remete à reflexão sobre fama e riqueza. Existem pessoas que o tempo todo só pensam em acumular as duas, ou uma delas. Fama e/ou riqueza são essenciais para uma vida feliz? Sempre se soube que não, pois, ao final de tudo, prevalecem valores diferentes das sandices que a muitos enganam. Há poucos dias, li pequeno texto sobre um pedreiro que emocionou a nação, ao fechar com cimento o sepulcro do grande homem público que foi Tancredo Neves: “Ficou no ar, em rede nacional, nem por isso se afobou, cumpriu o ofício como se estivesse sozinho, caprichou com sua pá humilde dando à cerimônia um momento de reflexão: assim passa a glória do mundo”. Pois é, o tristonho e bizarro Michael Jackson deixou um legado artístico sui-generis; deixou também um legado de mistérios. Todas essas últimas passagens, toda essa mídia e toda essa exaltação da fama e da riqueza do astro pop fazem um natural resgate da expressão “Sic transit gloria mundi”.

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