Viva a insulina - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Viva a insulina

“Uma noite eu tive a sede de um príncipe/depois a de um rei/depois a de um império/a de um mundo/em fogo.” Eis os primeiros versos do poema Diabetes, do poeta norte-americano James Dickei (1920-1986), sobre essa doença de alta prevalência no planeta, e que, no Brasil, afeta cerca de 17 milhões de seres humanos. Deve-se ao médico da Grécia Antiga Arateu da Capadócia uma das mais remotas referências à Diabetes mellitus: “Uma fusão de corpo e membros na urina”. Diabético, meu pai contava  para os filhos o começo da sua doença: “Quanto mais água eu tomava, mais sede eu sentia, e quanto mais alimento eu comia, mais magro ficava”. Suas palavras fazem lembrar as descrições do médico Arateu e do poeta James Dickei. A Diabetes é para mim doença bem conhecida, não como portador, mas como envolvido espectador.

É frustrante quando olhamos para a história da medicina e vemos como era lenta a  sua evolução. Durante séculos seguidos, os meios diagnósticos e as terapias avançavam muito devagar, com pouquíssimas exceções. Somente a partir do século 18, com o florescer do método científico, a humanidade vislumbrou grandes avanços na área médica e em outras áreas do conhecimento. Existem marcos desses avanços, a exemplo da adoção da antissepsia, as descobertas da anestesia, das vacinas, dos antibióticos e do raio x, além de vários outros. Porém, um dos marcos dos avanços médicos de grande significação foi a descoberta da insulina, evento que ocorreu 100 anos atrás, em Toronto, no Canadá. Depois da terapia com esse hormônio, mormente de pessoas com Diabetes mellitus insulino dependentes, quantas vidas foram salvas, quantos enfermos ganharam outro ânimo e quantos sorrisos voltaram às faces dos portadores dessa disfunção metabólica, com ênfase para as crianças ou jovens e seus familiares.

Meu pai, Diogenes da Cunha Lima (1906-1972), passou a receber insulina logo após esse medicamento ser comercializado. Morava em Nova Cruz-RN, e tomava três doses diárias de insulina regular, conforme prescrição do seu médico, da cidade de João Pessoa-PB. Aumentava ou diminuía a dosagem de acordo com o nível da glicosúria, exame que ele mesmo fazia. Hoje, o paciente dispõe de meios simples e mais precisos no controle da doença, essencial para evitar as complicações. Com seu médico, meu pai aprendeu conceitos básicos da Diabetes, bem assim por leitura de livros indicados pelo especialista. Contou com dois Anjos da Guarda, o de nascença e minha mãe, sempre ao seu lado “na saúde e na doença”.  

Nos 100 anos da descoberta da insulina, é hora de relembrar quantos contribuíram para esse marco da medicina, especialmente dos médicos Frederich Banting (1891-1941), John Macleod (1876-1935) e Charles Best (1899-1978), além do bioquímico  James Collip (1892-1965). Banting e Macleod receberam o Nobel de Medicina, em 1923, mas dividiram o Prêmio com os outros dois.

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

Artigo publicado na edição desta quinta-feira - 19/08/21 - do jornal Tribuna do Norte

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